Ato 1
Fumaça, luz negra, música ao fundo crescente.
Entra no palco uma criatura com um vestido longo preto, muito pálida, cabelos soltos. Olhar intimidante.
Criatura:[apontando] Vocês!!! Todos vocês que estão aí sentados [debochando] confortavelmente em suas
cadeiras, todos arrumadinhos e perfumosos... [baixando o tom da voz] vocês ainda vivos... ou quase vivos
ou ainda vivos... vocês... que desconhecem o que é dor, o que é sofrimento... [risos] que se acham no
direito de julgar o outro [fúria] mas não julgam nem a si mesmos![calma] Tomam suas atitudes pensando
que são os mortos que lhes cobrarão o devido preço a ser pago pelas trapaças, mentiras, erros...
[pensativa] mas os mortos... esses estão mortos meus queridos... aqueles já sepultados encontraram seu
caminho no labirinto... e não podem mais voltar... [pausa, olhar penetrante] quem vai lhe cobrar pelos
seus atos são aqueles que ainda não se encontraram... que como vocês [aponta] estão perdidos, meio mortos, meio
vivos e não sabem bem aonde estão...[música suspense aumentando, criatura com olhar intimidador andando na boca do palco
maio abaixada]e eu sou apenas a mensageira... que não vai lhes mostrar nada além da verdade do seu mundo...
[vira - se de costas para o público, levanta as mãos na altura da cintura e grita] Abram os portões!
[para a música, sem luz, fumaça, escutam lamuriações de uma pessoa ao fundo]
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