Sentou-se com os braços enrodilhando os joelhos, e assim, se protegendo do frio que fazia os cabelos baterem em sua face, chorou.
Chorou por tudo que havia lhe acontecido e permitido, por não ter modificado, por não ter percebido nem visto, chorou e sentia até um certo prazer em chorar, pois tudo que agora sentia, não era nada além de sofrimento merecido.
Chorou até adormecer sentindo o gosto das lágrimas salgadas banhando seus lábios e os olhos arderem a cada piscar. Sabia que por mais que chorasse, jamais iria mudar, e isso já lhe era motivo suficiente para chorar.
Acordou com amanhecer do dia lhe maltratando a face e olhou os tímidos raios de sol esgueirando-se pelas folhas das altas árvores do bosque a frente. Caminhou por entre as pedras com os pés descalços e sentiu cada graveto que havia no chão. Sentiu também ao tocar seus pés no solo, uma energia que tranquilizava, haviam folhas secas que estralavam sob seu pisar e pequenos pedriscos em meio a grama, que ainda estava úmida da noite anterior.
Sentia um perfume tímido exalando de algum lugar...olhou ao redor, nada viu além de árvores e nada ouviu além do vento que ia perdendo sua força pouco a pouco, a cada encontro com um novo tronco.
Já não sabia se sentia mesmo este perfume ou se eram apenas suas lembranças pregando uma peça em sua mente atordoada. Já não sabia se eram lembranças ou apenas fruto de sua imaginação. Já não lembrava mais porque chorara. Já não sabia se chorava na noite passada ou se sonhava. Já não sabia se vivia ou imaginava.
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